ENTRE... LIVROS

Janeiro 24 2011

Nesta época de tanto frio que tal leres hoje o poema BALADA DA NEVE, 

da autoria de Augusto Gil? 

É que a poesia aquece o

sobretudo se acompanhada de boa música

adequada ao tema de leitura.

A proposta de hoje é que ouças, enquanto lês,

a Valsa dos Flocos de Neve, do bailado O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky.

 

   

 

 

Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.

Será chuva? Será gente?

Gente não é, certamente

e a chuva não bate assim.

 

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

 

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

                                                                                                                                           

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

 

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

 

Fico olhando esses sinais

da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

 

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

 

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

 

E uma infinita tristeza,

uma funda turbação

entra em mim, fica em mim presa.

Cai neve na Natureza

e cai no meu coração.

 

 

 

 

publicado por Biblioteca às 17:31

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