ENTRE... LIVROS

Dezembro 12 2012

O Natal da escola

O Natal vai à escola
com roupas de fantasia;

num bolso leva os sonhos
e no outro a poesia.

O Natal pousa nos livros,
no quadro e nas carteiras
e deixa um pó de estrelas
no fundo das algibeiras.

E até o telemóvel,
que na aula não deve entrar,
quando toca de repente
é o Natal que vem lembrar.

O Natal entra na escola,
na mochila e nos cadernos
e segreda ao ouvido
os votos que são eternos.

O Natal é o recreio
que a campainha anuncia;  
todos celebram contentes
O sentido desse dia.
(…)      

 José Jorge LetriaO Livro do Natal

 

 

Natal africano

(O poeta lembra-nos que na cultura africana não há a tradição de Natal)

Não há pinheiros nem há neve,

Nada do que é convencional,

Nada daquilo que se escreve

Ou que se diz… Mas é Natal!

 

Que ar abafado! A chuva banha

A terra, morna e vertical.

Plantas da flora mais estranha,

Aves da fauna tropical.

 

Nem luzes, nem cores, nem lembranças

Da hora única e imortal.

Somente o riso das crianças

Que em toda a parte é sempre igual.

 

Não há pastores nem ovelhas,

Nada do que é tradicional.

As orações, porém, são velhas

E a noite é Noite de Natal.

 

In “Obra Poética” de João Cabral do Nascimento, Edições Asa

 

 

Natal

 

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

                                                                                                                                   Poemas de Natal  - Manuel Alegre 

 

Ouve aqui:

publicado por Biblioteca às 18:26

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