ENTRE... LIVROS

Março 21 2012

  

Tempo de Poesia

Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram
Corolas que se desdobram
Corpos que em sangue soçobram
Vidas que a amar se consagram

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria

Todo o tempo é de poesia

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia

 

António Gedeão

 

 O poeta chorava...

 

O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
nelas buscava Uma estrela   talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões

E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva

Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com mais requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta
O Poeta
O POETA DESTROI-VOS

 

Mário Cesariny, de Nobilíssima Visão, Colecção Poesia e Verdade

  

ALGUNS GOSTAM DE POESIA

 

Alguns -

Quer dizer nem todos.

Nem a maioria de todos, mas a minoria.

Excluindo escolas, onde se deve,

E os próprios poetas

Serão talvez dois em mil

 

Gostam –

Mas também se gosta de canja de massa,

Gosta-se da lisonja e da cor azul,

Gosta-se de um velho cachecol,

Gosta-se de levar a sua avante,

Gosta-se de fazer festas a um cão.

 

De poesia –

Mas o que é a poesia?

Algumas respostas vagas

Já foram dadas,

Mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro

Como a um corrimão providencial.

 

Willawa Szymborska, Premio Nobel de Literatura 1996.

  

Frutos

 

Pêssegos, peras, laranjas,

morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor, 
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

 

Eugénio de Andrade

 

Neste poema o poeta fala-nos sobre os frutos.

Experimenta tu, também, escrever uma poesia sobre o teu fruto preferido.  

Envia-nos o teu poema por e-mail, para be.esdjv@sapo.pt, ou através do comentário do blog. 

publicado por Biblioteca às 07:55

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