ENTRE... LIVROS

Abril 23 2012

                              Livro, um companheiro  indispensável                               

 Aqui ficam estes bonitos poemas sobre os livros e a leitura.

 

Um livro

 

Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?

P’ra falar verdade, não sei.

Com um livro
cruzei o mar,

não sei com quem naveguei.

Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me p’ra longe  
não sei por onde é que andei.

Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me com ele
até  ao coração de alguém

E aí me enamorei -
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:

Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.

Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear

Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.

 

O G é um gato enroscado, João Pedro Mésseder

 

Os livros

 

Apetece-me chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo
afagá-los com as mãos
abri-los de par em par
ver o Pinóquio a rir
e o D.Quixote a sonhar
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das duas mãos


(José Jorge Letria)

 

O homem que lê 

Eu lia há
muito. Desde que esta tarde

com o seu
ruído de chuva chegou às janelas.


Abstraí-me
do vento lá fora:

o meu livro
era difícil.


Olhei as
suas páginas como rostos

que se
ensombram pela profunda reflexão

e em redor
da minha leitura parava o tempo.


De repente
sobre as páginas lançou-se uma luz

e em vez da
tímida confusão de palavras

estava:
tarde, tarde… em todas elas.


Não olho
ainda para fora, mas rasgam-se já

E quando
agora levantar os olhos deste livro,

nada será
estranho, tudo grande.


Aí fora
existe o que vivo dentro de mim

e aqui e
mais além nada tem fronteiras;


apenas me
entreteço mais ainda com ele

quando o meu
olhar se adapta às coisas


e à grave
simplicidade das multidões,

então a
terra cresce acima de si mesma.


E parece que
abarca todo o céu:

a primeira
estrela é como a última casa.

 

 Livro das Imagens,  Rainer Maria Rilke  

     

Ler


Ler sempre.
Ler muito.
Ler “quase tudo”.
Ler com os olhos, os ouvidos, com o tacto, pelos poros e demais sentidos.
Ler com razão e sensibilidade.
Ler desejos, o tempo, o som do silêncio e do vento.
Ler imagens, paisagens, viagens.
Ler verdades e mentiras.
Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível, o impensável, as entrelinhas.
Ler na escola, em casa, no campo, na estrada, em qualquer lugar.
Ler a vida e a morte.
Saber ser leitor, tendo o direito de saber ler.
Ler simplesmente ler.

 

Edith Chacon Theodoro

publicado por Biblioteca às 09:19

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