ENTRE... LIVROS

Março 21 2017

"ó subalimentados do sonho!

a poesia é para comer"

primavera e poesia.jpg

Cântico Negro de José Régio na voz de Maria Bethânia

Senhores jurados sou um poeta

um multipétalo uivo um defeito

e ando com uma camisa de vento

ao contrário do esqueleto

 

Sou um vestíbulo do impossível um lápis

de armazenado espanto e por fim

com a paciência dos versos

espero viver dentro de mim

 

Sou em código o azul de todos

(curtido couro de cicatrizes)

uma avaria cantante

na maquineta dos felizes

 

Senhores banqueiros sois a cidade

o vosso enfarte serei

não há cidade sem o parque

do sono que vos roubei

 

Senhores professores que pusestes

a prémio minha rara edição

 de raptar-me em crianças que salvo

do incêndio da vossa lição

 

Senhores tiranos que do baralho

de em pó volverdes sois os reis

sou um poeta jogo-me aos dados

ganho as paisagens que não vereis

 

Senhores heróis até aos dentes

puro exercício de ninguém

minha cobardia é esperar-vos

umas estrofes mais além

 

Senhores três quatro cinco e sete

que medo vos pôs por ordem?

que pavor fechou o leque

da vossa diferença enquanto homem?

 

Senhores juízes que não molhais

a pena na tinta da natureza

não apedrejeis meu pássaro

sem que ele cante minha defesa

 

Sou uma impudência a mesa posta

de um verso onde o possa escrever

ó subalimentados do sonho!

a poesia é para comer.

 

Natália Correia

As maçãs de orestes

1970

 

A Poesia

A poesia é…

Um pedaço de maresia;

A andorinha que esvoaça

e nos enche de alegria;

A borboleta que passa

e pousa na minha mão;

A suave melodia

daquela canção…

 

Mas a poesia também é…

Nostalgia

ao contemplar o céu

sem destapar o véu

da imortalidade.

Poetas somos todos, por vezes

sentimos saudade,

contamos os meses,

sonhamos acordados

num mundo de esperança

voltamos a ser criança.

Ana Paula Melo

publicado por Biblioteca às 10:38

Março 21 2016

Primavera 0.jpg

 

As árvores e os livros

 As árvores como os livros têm folhas

e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

Jorge Sousa Braga, Herbário (2002)

publicado por Biblioteca às 15:04

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